Da minha duna
O que se vê? Uma despedida cheia de encontros por vir.
Algés, 25 de Janeiro de 2026
Saem-me ansiosas as palavras, não as encontro sempre e perco-lhes a forma mais vezes do que sinto que gostaria. Às vezes ficam sensações de coisas que quero dizer, perguntar. A visão fica turva mas a vontade expande-se inquieta. Espero. Até lhe dar um caminho de encontro. Acho que espero cada vez mais espantada por esperar tão quieta. Tão incerta. Sem mim só dentro. Sem correr para chegar. E deixar a marinar. Apurar.
Foi assim para mim 2025. Foram assim as gravidezes. Uma outra maneira de medir. Enformar. Pariram-me as duas vezes. Desta vez, numa calma induzida aprendida, devolveu-me o tempo das coisas. De relacionar. Para convidar e ajuntar. Como crescer neste espaço. Nos meus espaços comuns.
Da minha duna o que se vê. Vejo-vos a vocês. Só vos vejo a vocês. Estou cheia de vocês. E o que nos liga a crescer em laços. Abraços. E beijos, muitos beijos. E cartas que não se dizem, mas que viajam já. Quero partilhar o mundo. Que me enche, que me cria, me deseja em vida. Despida. Quero envolver. Devolver. Amar. E correr sem pressa de ter. Ser. Quero estar. Perguntar. Ouvir-te. Praticar-me a curiosidade, esse bicho. Expandir-nos informes. Cuidar de nós.
Quero fazê-lo de todas maneiras. E saem já das ideias as cartas de amor. Os convites a estarmos. Voltei a desenhar e a pintar. A pensar o natal. Fazer crescer árvores (genealógicas e outras). E nutrir. Imagino agora viver o meu ciclo. E a celebrar sem desculpas.
E seguimos incertos na contagem de quantos somos. Já não se conta. Também não se espera sempre. Abrem-se as portas e as janelas. Para a corrente de ar. Respirar. Publicar. Manifestar.
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